AÇÃO RESPONSÁVEL

O apoio ao desenvolvimento sustentável – de líderes globais, cientistas e cidadãos comuns – aumentou recentemente com: A adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas em setembro de 2015. O Acordo de Paris sobre o clima em dezembro de 2015. A publicação da atualização do conceito de fronteiras planetárias em janeiro de 2016. A Conferência sobre Mudanças Climáticas de Marrakesh, em novembro de 2016. Como comunidade global, devemos agora fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para contribuir para este esforço – em prol das futuras gerações.

Os limites ao crescimento

Em 1972, o Clube de Roma previu que a humanidade esgotaria os recursos naturais finitos em poucas décadas. Este think tank global dedicou-se a identificar ameaças à humanidade. Serviu também como catalisador de soluções de políticas e atraiu considerável atenção com a publicação do livro “The Limits of Growth”1. Os autores do livro elaboraram os cenários futuros com base na maior potência computacional da época.

“Algumas décadas depois”, ainda estamos aqui. Por um lado, parece que os modelos usados pelos autores eram muito rudimentares e de escopo limitado para permitir estimativas precisas da Sociedade da Economia Ambiental. Além disso, como argumentou o grande filósofo austríaco Karl Popper, prever o futuro exigiria prever inovações tecnológicas, que são inerentemente imprevisíveis.

Na década de 1970, a palavra sustentabilidade ainda não era um clichê. No entanto, na época, nós, como empresa, já havíamos incluído os aminoácidos em nosso negócio. Este enfoque em aminoácidos foi resultado da aspiração de reduzir a dependência da humanidade em recursos finitos através da inovação tecnológica para garantir alimentos saudáveis, abundantes e seguros.

AS TRÊS DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE

As três dimensões surgiram como o núcleo do pensamento dominante em torno da sustentabilidade: sociedade, economia e meio ambiente. Por muito tempo, esse conceito foi ilustrado como três elipses sobrepostas. A mudança recente de paradigma resultou em uma nova ilustração. O novo diagrama implica que as economias e as sociedades são partes integrantes da biosfera, e não setores separados, embora interrelacionados. A ideia é que a economia sirva à sociedade para que esta possa evoluir dentro do espaço operacional seguro do planeta. Esse modelo é uma excelente ferramenta para definir a questão geral da sustentabilidade3.

Um mundo em movimento: por um comportamento mais sustentável

Hoje, grandes ameaças pairam sobre o planeta. Como empresa, trabalhamos duro para ajudar a enfrentar os desafios da sustentabilidade na área de nutrição animal. Nos últimos anos, a conscientização da comunidade internacional também aumentou exponencialmente em relação à absoluta necessidade de ações sustentáveis. Políticos, líderes econômicos e cidadãos em todo o mundo adotaram a causa do desenvolvimento sustentável como prioridade máxima. Há várias evidências deste progresso.

Os governos de todo o mundo começaram tomar medidas mais abrangentes. Na COP21, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática em Paris, no final de 2015, um número esmagador de nações concordou com metas obrigatórias para mitigar o aquecimento global. A China e os EUA ratificaram o acordo em setembro de 2016. O Parlamento Europeu aprovou a ratificação pela União Europeia em outubro de 2016. Com isso, as nações assumiram um nível de prestação de contas sem precedentes.4

A sustentabilidade também se tornou prioridade estratégica para diretorias corporativas em todo o mundo. Um número cada vez maior de empresas tem procurado alinhar a sustentabilidade com suas metas, missões e valores5. Não mais considerada um impedimento para as operações, a redução do consumo de recursos naturais e das emissões tornou-se fundamental para o crescimento dos negócios. Essa abordagem estratégica de sustentabilidade também foi incluída no conceito de Criação de Valor Compartilhado (CSV), que pressupõe que a competitividade de uma empresa e a saúde das comunidades no seu entorno são mutuamente dependentes.6

A mudança para o comportamento sustentável é cada vez mais evidente também em nível individual, determinando as escolhas de carreira e as opções dos consumidores. De fato, “a sustentabilidade continuará a ser um setor em expansão, com grande potencial de empregos à medida que os recursos e a energia se tornarem mais escassos e caros”7. Segundo uma pesquisa da Nielsen de 2015, “os consumidores estão tentando se tornar cidadãos do mundo responsáveis […] . Portanto, ao fazerem suas compras, estão fazendo o dever de casa”8. Esse ciclo virtuoso está ganhando força em todo o mundo.

Definindo nossas proteções

Esse progresso encorajador deve servir de incentivo para redobrarmos nossos esforços – como comunidade internacional e como empresa. No entanto, precisamos de pontos de referência claramente definidos, se quisermos nos manter no caminho certo.

Fronteiras Planetárias

É inquestionável que nosso planeta não pode sustentar indefinidamente o crescimento econômico simplesmente alimentando-se de recursos naturais. Essa percepção levou um grupo de cientistas do Centro de Resiliência de Estocolmo e da Universidade Nacional da Austrália a propor o conceito de fronteiras planetárias em 2009, que foi atualizado em 2015.9

Das nove fronteiras citadas, identificamos cinco nas quais, devido à natureza do nosso negócio de nutrição animal, podemos dar uma contribuição positiva: integridade da biosfera, mudança no uso do solo, uso de água doce, fluxos biogeoquímicos e mudança climática.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável foi adotada pelos líderes mundiais em setembro de 2015. Estabelece 17 objetivos obrigatórios para a criação de um mundo em que “os padrões de consumo e produção e o uso de todos os recursos naturais – do ar ao solo; dos rios, lagos e aquíferos aos oceanos e mares – sejam sustentáveis. Um mundo em que o desenvolvimento e a aplicação de tecnologias sejam favoráveis ao clima, respeitem a biodiversidade e resilientes. Um mundo em que a humanidade viva em harmonia com a natureza e em que a vida selvagem e outros seres vivos sejam protegidos”15. Essa é e continuará a ser uma meta ambiciosa.

Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) abordam todos os aspectos da atividade humana, incorporando o conceito de fronteiras planetárias16.

Os ODS criam um roteiro para ações sustentáveis. Oito destes objetivos estão diretamente relacionadas às nossas atividades do negócio de Nutrição Animal e servem de base para orientar nossas ações de sustentabilidade.

Fórmula de Impacto Humano

Nos últimos 40 anos, a inovação desempenhou um papel crucial na viabilização do crescimento global e aumento da renda.

Mesmo na época, já se sabia que isto teria um custo. A fórmula de impacto humano (equação I=PAT) descreve como os três fatores de atividade humana contribuem para o impacto ambiental18. A fórmula é tão pertinente hoje quanto à época em que foi proposta, no início dos anos 70, quando começou a ser estabelecido o conceito de desenvolvimento sustentável.

Dominando o fator tecnologia

Como empresa, podemos apenas observar as tendências relativas ao crescimento populacional (P) e do aumento da afluência (A), que podem, por exemplo, resultar em maior consumo de carne per capita. No entanto, podemos influenciar o fator tecnologia (T) com nossos produtos e serviços para o setor de rações. Por exemplo, o impacto ambiental (I) da carga de nitrogênio associada à produção de proteína animal pode ser reduzido através da formulação otimizada de rações que contenham nossos aminoácidos e use nossas tecnologias avançadas de produção animal (T).

Nossa expertise é baseada em décadas de experiência na fabricação de aminoácidos para rações. Isso nos permite contribuir de forma concreta para dissociar o crescimento econômico e sua consequência, o aumento da renda, do consumo de recursos e da deterioração ambiental.

Esta publicação ilustra as formas através das quais nossa tecnologia e serviços contribuem para a sustentabilidade – e para o fornecimento de fontes de proteína saudáveis e abundantes para as gerações futuras.

A integridade da biosfera é fundamental para manter a alta produtividade agrícola, que, por sua vez, é indispensável para o desenvolvimento humano. No entanto, desde 1970, as populações de animais selvagens diminuíram em quase 50% e as taxas atuais de extinção de animais e danos ao ecossistema são excessivamente altas. Deve ser feito um esforço coordenado para proteger a integridade da biosfera, aumentar os habitats naturais e melhorar a conectividade entre os ecossistemas.

A conversão de florestas em lavouras e as cidades em crescimento exponencial não estão apenas destruindo os habitats naturais. O desmatamento e a urbanização também estão aumentando drasticamente as emissões de gases do efeito estufa, que, por sua vez, estão acelerando o aquecimento global. O setor industrial deve aumentar seu apoio a práticas e políticas de manejo sustentável do solo, reduzindo os recursos do solo utilizados nas cadeias de processo industrial.

Menos de 1% de todos os recursos de água doce podem ser utilizados por ecossistemas e seres humanos. Até 2025, 800 milhões de pessoas estarão vivendo em países ou regiões com absoluta escassez de água14. O uso excessivo de água pode secar rios e aquíferos, prejudicando o meio ambiente e alterando o ciclo hidrológico e o clima. Devem ser tomadas todas as medidas possíveis para minimizar o desperdício de água e reduzir a emissão de poluentes no meio ambiente.

Embora o nitrogênio e o fósforo sejam nutrientes essenciais para todos os seres vivos, a Terra não é capaz de suportar quantidades excessivas desses elementos químicos. As atividades humanas estão emitindo nitrogênio e fósforo em uma taxa avassaladora – acidificam os cursos de água, poluem o ar que respiramos e prejudicam o clima. Se quisermos salvar o ar e a água da Terra, isto precisa mudar.

O aumento das temperaturas globais está, em grande parte, relacionado às emissões de CO2 provenientes da queima de combustíveis fósseis. As consequências do aquecimento rápido da atmosfera já podem ser observadas: extremos climáticos, aumento do nível do mar, acidificação dos oceanos e plantações devastadas. Devido à ligação inextricável entre as mudanças climáticas, a segurança energética e a estabilidade econômica, a redução das emissões de carbono deve ser prioritária e urgente.

BIBLIOGRAFIA

1 Meadows, D. H. et. al. (1972). The Limits to Growth; a report for the Club of Rome’s project on the predicament of mankind. New York: Universe Books.

2Popper, K. R. (1944). The poverty of historicism. London: London School of Economics and Political Science.

3Adams, W. M. (2006). The Future of Sustainability: Re-thinking Environment and Development in the
Twenty-first Century. Report of the IUCN Renowned Thinkers Meeting, January 29–31, 2006.

4 Paris Agreement. (n.d.). Retrieved August 9, 2016, from http://ec.europa.eu/clima/policies/international/negotiations/paris/ index_en.htm

5 Sustainability’s strategic worth: McKinsey Global Survey results. (n.d.). Retrieved August 09, 2016,  from http://www.mckinsey.com/business-functions/sustainability-and-resource-productivity/our-insights/sustainabilitys-strategic-worth-mckinsey-global-survey-results

6 Porter, M. E., Kramer, M. R. (2011). Creating Shared Value: How to reinvent capitalism—and unleash a wave of innovation and  growth. Harvard Business Review, 89(1/2), 62–77.

7 Environmental Jobs: Green Jobs in Sustainable Development. (n.d.). Retrieved July 28, 2016,  from https://www.petersons.com/graduate-schools/green-jobs-sustainable-development.aspx

8 Insights. The Sustainability Imperative. (n.d.). Retrieved July 28, 2016, from http://www.nielsen.com/ca/en/insights/reports/2015/the-sustainability-imperative.html

9The nine planetary boundaries. (n.d.). Retrieved July 28, 2016, from http://www.stockholmresilience.org/research/planetaryboundaries/planetary-boundaries/about-the-research/the-nine-planetary-boundaries.html

10 Crutzen, P. J., Schwägerl, C. (2011). Living in the Anthropocene: Toward a New Global Ethos. Retrieved September 06, 2016, from http://e360.yale.edu/feature/living_in_the_anthropocene_toward_a_new_global_ethos/2363/ and Crutzen, P., Stoermer, E. (2000). The “Anthropocene”. Global Change Newsletter, 41, 17–18.

11 Carrington, D. (2016). The Anthropocene epoch: Scientists declare dawn of human-influenced age. 
Retrieved September 06, 2016, from https://www.theguardian.com/environment/2016/aug/29/ declare-anthropocene-epoch-experts-urge-geological-congress-human-impact-earth

12 United Nations. (2012). Resilient people, resilient planet: A future worth choosing. New York: United Nations, 24.

13 United Nations General Assembly. (2010). Implementation of Agenda 21, the Programme for the Further
Implementation of Agenda 21 and the outcomes of the World Summit on Sustainable Development. Report of the Secretary-General  to the General Assembly of the United Nations, August 16, 2010; and European Commission Standing Committee on Agriculture Research (2011), Transition towards sustainable food consumption and production in a resource constrained world [“The Budapest Declaration”], Conference May 4–5, 2011 Budapest, Hungary. 

14 UN Water—United Nations. (n.d.). Retrieved July 28, 2016, from http://www.unwater.org/

15 Transforming our world: The 2030 Agenda for Sustainable Development: Sustainable Development Knowledge Platform. (n.d.).  Retrieved July 28, 2016, from https://sustainabledevelopment.un.org/post2015/transformingourworld

16 SDGs: Sustainable Development Knowledge Platform. (n.d.). Retrieved July 28, 2016, from https://sustainabledevelopment.  un.org/sdgs

17 How food connects all the SDGs. (n.d.). Retrieved August 10, 2016, from http://www.stockholmresilience.org/research/ research-news/2016-06-14-how-food-connects-all-the-sdgs.html

18 Ehrlich, P. R., Holdren, J. P. (1971). Impact of Population Growth. Science, 171(3977), 1212–1217.